Jiu-Jitsu Adventure MS EP.09: Amor pelo Jiu-Jitsu: Santtanna BJJ
Ah dia doze de junho, um dia que não é como os outros dias, um dia que exige decisões daqueles que com o coração se guiam. Não sabe o que tem no dia doze de junho? Se não se lembra do que se comemora nesta data, ou es relapso/a, ou não padece deste remédio e veneno pra alma, o amor romântico[JJ1] .
Não lembrou mesmo? Vou logo deixar de mistérios e dizer o porquê este dia tem um significado diferente. Dia doze de junho se comemora o famoso Dia dos Namorados. Uma época do ano que mexe com as estruturas, memórias e traumas que a palavra “namorados” agrega em seu significado.
Eu particularmente não sou um entusiasta desta data. Por não amar? Por não ser romântico? Ou por ter um trauma no passado que criou um bloqueio com a data? Até o final do texto vocês descobrirão as respostas que explicam minha relação com esta data. O importante agora é seguirmos na missão do dia dos namorados, um Adventure MS justo neste dia, uma visita na noite dos românticos á Santtanna Brazilian Jiu-Jitsu
Conheci em eventos da Federação, um até então desconhecido para mim, Anderson Santtanna. O Jiu-Jitsu de Mato Grosso do Sul cresce a cada ano, venho acompanhando há quase vinte anos o progresso da arte suave pantaneira, e garanto que o desenvolvimento da arte em uma ascendente veloz. Este progresso nos passa de uma pequena comunidade para uma comunidade mais ampla, que cada vez mais desconhecemos muita gente que faz parte dela. Este foi o caso de Santtana, que possivelmente estivemos em um passado no mesmo lugar, mas que ainda não havíamos nos conhecido apropriadamente.
Se não conhecia Santtanna, seu amigo
e braço direito em sua academia, Douglas Valverde, o popular Doug, eu já
conheço há uns bons anos. Para quem o conhece é até informação desnecessária
dizer que pouco havia conversado com ele, mas para quem não o conhece, vale a
informação, Doug é um guerreiro silencioso, do qual poucas pessoas vão escutar
sua voz por muito tempo, fato evidenciado em meu primeiro contato com ele.
O ano era 2015, e eu ia em uma van
alugada pela Federação Sul-mato-grossense de Jiu-Jitsu para São Paulo lutar o
Sul-Americano da IBJJF. Em uma animada turma de atletas Sul-Mato-Grossense, a
van seguia pela estrada, embalada por histórias de todos os tipos, advindas de
diferentes fontes através dos componentes da resenha do Jiu-Jitsu do MS.
Enquanto escutávamos as histórias mirabolantes dos componentes do grupo, as
vozes deles já se tornavam reconhecíveis para mim, tendo exata noção de quem
estava naquela viagem. Já no estado de São Paulo, a van faz uma parada para um
descanso. Um a um descemos da van, ainda conversando e descontraindo. Até que
último de nós desce, e o motorista pede para fechar a porta. Mas ao fazê-lo,
uma voz grave vem dos fundos da van.
Todos os componentes da van param ao
escutar o som daquela voz desconhecida. A voz vinha do fundo da van, advindo de
alguém que havia passado imperceptível mediante a interação dos componentes do
grupo. Lá do fundo, aparece um jovem garoto, bem magro, de expressão séria, e
que até aquele momento, eu, e nem os outros, havíamos notado a presença. Este
jovem era ninguém mais e ninguém menos, que o Guerreiro Silencioso, Doug
Valverde.
De lá pra cá, acompanhei atento o
desenvolvimento daquele rapaz quieto, vendo que a cada degrau seu Jiu-Jitsu,
ele parecia mais e mais forte. Poucos foram os atletas capazes de rivalizar com
ele em competição, Doug faz a maioria das suas lutas parecerem um beco sem
saída para seus oponentes, que quase sempre acabam encurralados na alameda mais
perigosa de seu jogo, o Triangulo.
Quando soube que Doug havia graduado
faixa preta, ouvi falar que ele havia sido graduado pelo Santtanna. Passei dois
anos e meio afastado do Jiu-Jitsu MS, neste tempo muita gente ascendeu e
apareceu para o cenário, então não me espantou saber que havia uma equipe nova,
que era liderada por alguém que não conhecia. Por saber da capacidade de Doug,
fiquei curioso em conhecer Santtana.
Neste meio tempo, entrevistei
Santtanna e Douglas no Pós-Treino Podcast, oportunidade que tive de conhecer a
história deles, ficando a par de quem eles eram, não só no Jiu-Jitsu, mas como
pessoas fora do meio competitivo. Confesso que Doug foi de longe a entrevista
mais difícil que fiz, extrair mais de uma hora de conversa dele exigiu
criatividade.
Doug é um rapaz extremamente quieto, o qual descobri não ser fruto da timidez. Ele simplesmente é alguém que fala pouco por opção mesmo. Até entrevista-lo pensava compartilhar com ele a característica tímida, mas acredito que eu seja até mais tímido que ele.
Fato de ser tímido, me fez passar uma adolescência sem contato algum com este momento do dia dos namorados, talvez por isso não tenha desenvolvido um sentimento pela celebração. Mas não é só isso que explica não, tem mais...
Voltemos agora para o foco, Santtanna negociou comigo a visita com o seminário de tartaruga. Eis o dia sugerido por ele: o fatídico doze de junho. Via WhatsApp, ainda perguntei: “No dia dos namorados mesmo?” Santtanna, que me pareceu nem lembrar do que se comemorava neste dia (espero que a esposa dele não leia isso), me afirmou com naturalidade que não haveria problemas, e depois da visita eu descobriria o porquê.
Na manhã em que seria o evento, o clima trouxe aquilo que atrapalha o Jiu-Jitsu, mas ajuda no romantismo, o frio. O tempo frio atrapalha bastante, somada chuva ainda por cima, torna a na maioria do ano quente capital morena, em um retrato mais próximo do clima londrino, com nevoa esbranquiçando a vista, e um vento úmido e gelado que intensifica o frio.
O clima daquele dia favorecia uma boa noite romântica. Para aqueles que gostam, apreciar um bom vinho com seu amado/a (sou pouco romântico até nisso, não sou adepto do consumo vinho), não favorecendo de modo algum um treinamento de Jiu-Jitsu. Com os pés e mãos parecendo de alguém já sem vida, tal o gelo que meu toque adquiri, não pensava que muita gente se empolgaria em sair de casa para um seminário de Jiu-Jitsu, mesmo assim, tinha certeza que haveria alguns mais fanáticos como eu.
Se não teria uma noite romântica, teria uma noite de doze de junho com um amor que não se dissolve nas angustias do tempo, um amor que persiste desde a minha tenra idade, e que confesso, me bateu menos na alma que minhas relações passadas, o amor pelo Jiu-Jitsu.
O direcionamento de amor que ainda me resta é por aquilo que faço, posso me considerar um apaixonado pela arte marcial que escolhi cultivar. Observando nesta ótica, me pareceu adequado passar aquela noite em contato com o Jiu-Jitsu, por mais que sejam coisas totalmente diferentes. Para mim aquele evento seria uma celebração mais adequada, e a altura de uma relação duradoura, que já dura mais de vinte anos, algo que o tempo provou ser difícil para mim alcançar em um relacionamento.
Vesti com a calça do quimono, colocando por cima da rashguard de manga longa, e por cima usei meu casaco mais quente, o qual ganhei da minha ex esposa (não me lembro se foi presente de dia dos namorados). Na cabeça coloquei meu gorro vermelho, presente de meu tio Alexandre, que o trouxe da Bélgica quando trabalhou por lá. Neste look, que mista Jiu-Jitsu e coleção inverno, me dirigi para a região Cophavilla II, lar da equipe Santtanna BJJ.
O Bairro do Cophavilla II fica quase na saída da cidade. De minha casa até lá leva um tempinho razoável. O evento estava marcado para acontecer às 19:30, então saí de casa por volta das 18:50, mesmo assim, o trânsito demonstrou lentidão, devido ao horário de rush da cidade de Campo Grande-MS, me fazendo atrasar um pouco.
Para esta empreitada, devido ao frio, somente um apaixonado como eu aceitaria, e este alguém é o incansável Melchor. Geovani vinha há tempos pedindo para fazermos o Adventure por lá, mas para azar de sua relação com o Jiu-Jitsu, caiu na noite dos namorados, a qual seu compromisso com sua esposa era mais prioritário. Chegamos à academia Santtanna e Jiu-Jitsu, eu e Melchor para mais um Adventure.
No estacionamento já tive a dimensão do tamanho da academia. A Santtanna Jiu-Jitsu fica em um grande galpão. Quando desço do carro e adentro as dependências do salão, fico boquiaberto com a amplitude do espaço. O salão é tomado por grande tatame cinza com bordas pretas, que me fez lembrar do tatame que dava aula nos tempos que morei em Singapura, local em que o dia dos namorados se chamava Valentine Day, e era comemorado em fevereiro.
Sinto o vento gelado tocando meu rosto, com fumaça saindo pelas vias aéreas conforme respirava. Não parecia mesmo um dia propício para um Adventure. Ao adentrar o salão, ainda está rolando uma aula de criança, com alguns pais a beirada do tatame aguardando seus filhos. Cumprimento-os rapidamente, colocando minha mochila nos fundos da academia e me apresentando para Santtanna.
Santtana é um professor simpático, o que tem de tamanho, tem em respeito e educação no seu expressar. Apesar do frio, ele me pareceu tranquilo com a situação, não criando alarde de o frio afastar seus alunos do tatame. Santtanna e Doug tem uma rotina pesada, iniciando suas aulas às cinco da manhã, horário que nem se quer cogito acordar, e vão até as nove da noite em seu batente, alternando entre descanso e treinos ao longo de sua rotina diária.
Visto esta persistência e consistência dos líderes, não me parecia que os alunos da Santtanna se assustariam com o frio. O treino termina, com algumas crianças se retirando, mas outras ficando lá, parecendo que iriam participar do seminário. Adentro o tatame sentindo em meus pés o frio da borracha da superfície das placas emborrachadas. É um frio que faz realmente repensarmos todo o processo, mas que por experiência sei que é um desconforto passageiro.
Douglas também me recepciona, com poucas palavras é claro, algo que depois de conhece-lo, entendi ser o conjunto de simpatia que ele tem. Eu e Melchor estamos já prontos para começar, mas como tenho acompanhado em academias pela cidade, este horário da noite é o mais propício para o atraso dos alunos, não por malandragem, e sim pelo oposto, a maioria deles trabalha até mais tarde, saindo normalmente de seu emprego e indo direto para a academia.
O grupo de alunos da equipe Santtanna Jiu-Jitsu é composto por um misto de adultos, a maioria pra lá da Master, e jovens, variando entre infanto-juvenil e juvenil. Estes alunos das categorias mais jovens têm colocado a Santtanna em evidencia, tal são as performances e resultados destas jovens promessas do Jiu-Jitsu Sul Mato Grossense.
Conforme
vou percebendo os rostos daqueles jovens, vou conseguindo me recordar de tê-los
vistos anteriormente, na situação de conduzir suas lutas como árbitro. Pensava
que alguns pais e mães que assistiam seus filhos na plateia podiam lembrar
também, talvez não guardando boas memórias de mim como árbitro, afinal, o
árbitro muitas vezes decide a vida ali dos filhos deles.
Vão
chegando mais adultos, tento agradecer a cada um deles, que conseguiram o feito
de negociar com suas parceiras uma saída na noite do Dia dos Namorados. Muitos
deles me confidenciaram não ter sido fácil o acordo, o que me deixa um pouco
mal, pensando estar me tornando um inimigo do amor romântico, arrancando os
amados da casa de suas amadas na noite mais importante deles no ano.
O
Jiu-Jitsu realmente pode acabar se tornando em alguns casos um subterfúgio de
fuga de obrigações afetivas. Minha dica, como se um divorciado com dois namoros
terminados pudesse dar muitas dicas, mas se até padre, que nunca foi casado,
dá, também darei a minha: O Jiu-Jitsu não é adversário do amor, e sim um forte
aliado.
Por
mais difícil que seja entender estando de fora, a magia do Jiu-Jitsu na vida da
pessoa desperta uma paixão por aquilo, fazendo que pouco a pouco, o tempo gasto
naquele espaço, aumente bastante, fazendo muitas vezes a pessoa ser menos
frequente em casa. Por mais que seja ruim se acostumar, melhor se aliar a nova paixão
do amado/a, do que tentar lutar contra, aprendam comigo, o Jiu-Jitsu acaba
ganhando a maioria das disputas do “Eu ou o Jiu-Jitsu”.
Se
tem algo que não posso reclamar dos amores que tive no passado, foi ter vivido
o conflito descrito no parágrafo anterior. Tive convivências pacíficas de
minhas parceiras para com a minha arte, as que não entendiam, respeitavam, e
até mesmo compartilhei o amor pelo Jiu-Jitsu com uma delas, um momento que
guardo ótimas lembranças.
Se
para os adultos isso era um problema, para as crianças estava tudo na paz. Que
bom ver os jovens adiando os conflitos e dilemas das relações amorosas, vivendo
seu tenro contato com a arte marcial de maneira exclusiva. O equilíbrio que
estes jovens apresentam, deveria ser exemplo para quem mais velho, se vê em um
conflito entre seu amor por alguém e seu amor pelo Jiu-Jitsu.
Temos
um público bom, visto as barreiras que o tempo e a sociedade impuseram, criando
um dia que obriga as pessoas que tem um relacionamento demonstrarem seu afeto
de forma privada e pública. Chegamos a mais um ponto negativo que tenho contra
este dia, sua história de criação passa por um objetivo puramente comercial,
não havendo simbolismo amoroso nenhum além do faturar dinheiro.
Para
minha surpresa, esta data, a qual é puramente comercial, não foi problema para
muitos alunos/as da Santtanna Jiu-Jitsu, que mesmo em um clima frio de inverno,
demonstraram fibra e perseverança em aparecer, além de uma certa dose de
fanatismo pela arte marcial que praticam.
O
seminário iniciou-se por volta das oito da noite. Começo com uma espécie de
aquecimento, executado com movimentos necessários para a movimentação de
tartaruga. Santtanna me cede gentilmente seu som, para que eu possa colocar a
trilha sonora do seminário, o Reggae de Bob Marley, que combina com o momento,
visto que tem muitas músicas que evocam o amor romântico.
Os
jovens me chamaram bastante a atenção, visto a animação deles com cada
exercício que passava. Dois garotinhos faixa amarela foram os contatos mais
constante que tive no seminário. Comecei a treinar Jiu-Jitsu na idade deles,
mas nem de longe tinha a mesma desenvoltura, talento e empolgação que eles.
Para
azar dos mais velhos, acabei me contaminando pela empolgação da garotada, indo
rapidamente de um exercício para o outro, fazendo um seminário bem mais
dinâmico que o comum. Em certo momento fui até lembrado por um aluno Master que
o ritmo estava intenso demais, aviso que me faz dar uma maneirada na intensidade.
Doug
e Santtanna são dois verdadeiros apaixonados por aquilo que fazem. Nesta noite
pude perceber o nível de entrega que eles têm para com sua equipe. Doug hoje é
o campeão faixa preta adulto do estado, me arriscaria dizer que o atleta mais
completo em atividade. No seminário pude compreender que isso não ocorre por
acaso. Durante todo o seminário, Doug não parou de praticar as técnicas,
descobrindo com sua genialidade, triângulos possíveis até da situação de
tartaruga.
Havia
há uns meses passados feito o seminário de Doug na Checkmat-Campo Grande. Fiquei
impressionado com a dinâmica de Jiu-Jitsu desenvolvida por ele, e como que a
compreensão técnica dele é altamente refinada. Foi uma troca muito
interessante, aprender o Jiu-Jitsu dele, e ensinar um pouco do meu, dois
estilos que parecem ser opostos, mas que na minha técnica agregou muito, e
espero que tenha agregado na dele também.
Um
dos garotinhos faixa amarela me pergunta em certo momento: “Vai ter rola
mestre?”, respondo a ele que sim, a parte mais legal não iria ficar de fora. O
garotinho me responde com toda a
inocência e sinceridade infantil: “Se não tiver rola não é treino”. Me
enxerguei quando tinha a idade dele, isso há mais de vinte anos atrás, em que
possuía o mesmo sentimento que ele, e ainda hoje concordo bastante com a
afirmação advinda daquele jovem garotinho.
O
frio daquela noite parecia uma lembrança distante do começo daquela jornada. O calor criado pela atividade no tatame fazia
mal se perceber o clima ambiente. No momento do rola, é que posso perceber a
fortaleza da técnica da Santtanna Jiu-Jitsu. Nem preciso falar quem foram meus
primeiros “desafiantes” da noite, claro que a molecada.
Um
a um, aqueles pequenos competidores, que costumo assistir lutando contra outras
crianças, se apresentam e testam seu Jiu-Jitsu comigo. Em todo o processo, fico
imaginando quão difícil é para os adversários deles, tal é a disposição, garra,
e destreza das jovens promessas da equipe Santtanna.
Os
adultos também se apresentam, demonstrando uma entrega tão grande quanto o das
crianças, mas com a diferença de me exigir controlar a força física deles, pois
aquela rapaziada possui uma incrível capacidade física. Tenho a oportunidade de
treinar com dois faixas pretas do time, Daniel, e o líder da equipe, Anderson Santanna.
Treinando
com eles consigo compreender a confiança que Doug deposita neles. Tanto Daniel
quanto Santtanna, me propiciaram um ótimo treino. Nenhum dos dois se esquivou de
tentar me controlar no meu jogo de tartaruga, indo para cima, e se arriscando
dentro dos domínios técnico adversário. Não é atoa que aqueles jovens tem se
inspirado em se tornar os melhores em suas categorias, com professores que dão
o exemplo de humildade, coragem e ousadia. Saí de lá com a certeza de que veremos
muito mais talentos fabricados naquele galpão.
Um
dos pilares da equipe estava no tatame também, um outro apaixonado
romanticamente pela arte, Wagner Alberto, ou somente, Pé. Pé é um empresário de
sucesso, em um ramo que o clima daquele dia atrapalhava profundamente seu
negócio, o dos sorvetes.
A
Natturaly Sorvetes, empresa gerenciada por Pé, é de longe uma das maiores
incentivadoras do esporte. Através da ajuda que ele dá ao Jiu-Jitsu, muitos
atletas conseguiram a oportunidade de demonstrar seu talento. Fica difícil até
mesmo listar a quantidade de atletas que ele ajuda ou já ajudou.
Pé
dá chances para acreditarmos no amor, não de uma maneira romântica, que talvez
o ramo de sorvetes tenha em sua essência, mas sim pelo Jiu-Jitsu. Naquela noite
com toda a certeza Pé estava vivenciando parte deste romance que ele tem com a
arte marcial, demonstrada na intensidade de seu rola com Melchor, que me
confidenciou que ele e Pé já haviam feito treino forte no passado, reeditando
esta porradaria em um novo momento para os dois.
Quando
finda o momento de treino, e nos preparamos para a foto final, escuto um
garotinho dizer empolgado para Santtana “Esse foi o melhor seminário!”. Um
gesto simples e sincero de uma criança, me faz ganhar aquela noite, me sentir
bem fazendo algo que amo, me conectando ainda mais com o amor da minha vida, o
Jiu-Jitsu.
O treino termina, já bem depois das nove da noite, horário usual de termino do treino da noite na Santtanna BJJ. Tenho uma boa interação com os alunos, e com os pais de alguns deles, que demonstram empolgação em incentivar seus filhos no caminho do esporte. Alguns destes pais compram meu livro, e os jovens parecem realmente interessados em lê-lo. Fico ainda impressionado com o interesse dos jovens por lerem meu livro.
Quando o escrevi o livro, um processo que começa em 2015, e finda na publicação no início de 2020, não tinha em mente crianças e adolescentes lendo aquilo. Mas durante estes dois anos distribuindo minhas ideias através de palavras escritas em forma de livro, tenho topado com vários jovens que leram realmente o que escrevi. Espero que leiam este texto também.
Ao final de todo o processo, eu pergunto para Doug em tom de brincadeira “E aí, vai levar presente pra alguém mais tarde?” Santtanna dá uma risada autentica, e brinca com amigo “Doug não pega ninguém”. Doug não se importa nada com a brincadeira, percebo que a única paixão dele é por aquilo que pratica diariamente, e que deve reverberar em sua mente boa parte do seu dia, o Jiu-Jitsu.
Volto para casa nesta noite fria ainda mais fortalecido ainda com aquele treino, que depois vi em um story no Instagram de uma aluna da Santtanna, nomeado por ela de “Treino do Amor”. É ali naquele espaço em que consigo expressar minha mais profunda essência do que é amor para mim. Muito obrigado equipe Santtanna BJJ por me proporcionarem esta oportunidade de passar o dia dos namorados com um amor que sempre sei que me corresponderá, o Jiu-Jitsu!
Após o treino, viro para Melchor e
dou um cache por me ajudar naquela noite. Ele disse que não precisava, mas
insisti para que aceitasse, profetizando que aquele seria o primeiro de muitos.
Melchor, assim como eu, até mais em alguns pontos, é um apaixonado pela arte
marcial, que se tornou parte integrante de seu estilo de vida. Eu realmente
acredito que este amor dele ainda trará bons frutos.
No caminho de retorno, continuo ainda refletindo todo o
sentimento daquela noite. Vou lhes confessar que o Dia dos Namorados é algo que
mexe de alguma forma comigo. Por mais restrições que tenha com a data, ela é um
emaranhado de memórias boas e ruins, boas revivendo os grandes amores
românticos que tive, e ainda tenho na vida, e ruim por recordar também o fim de
cada um dos ciclos destes amores.
Como o sol que nasce, chega ao seu
apogeu, e se põe no crepúsculo, muito dos meus amores românticos seguiram o
roteiro do astro rei. O Jiu-Jitsu em minha vida transcende este crepúsculo,
brilhando tal como a lua cheia em um céu limpo, seguindo um ciclo sem fim, em
que o amor pela arte se preserva, mantem, e parece a cada dia se fortalecer
mais. Viva o amor pelo Jiu-Jitsu!

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