Jiu-Jitsu Adventure MS: Episódio 01: 67 Pantanal C.T Bruno Bezerra, Jiu-Jitsu de Quebrada
Por muito tempo o convite de visitar o
Jiu-Jitsu das Moreninhas ficou em aberto. Sempre tive uma boa relação com o
líder da equipe, Bruno Bezerra, e com seu braço direito, e digamos garoto
propaganda, Niltinho Show. Em meados para o final do mês de dezembro, as aulas
vão rareando, alunos viajando e entrando de férias, o que dá um tempo maior
para cultivar o Jiu-Jitsu em sua forma mais gostosa, no lifestyle. Niltinho fez
a ponte e reforçou o convite, que reverberou por uns dias, até que então decidi
me deslocar de minha academia, que fica na região central de Campo Grande, rumo
á Moreninha City para conhecer o Jiu-Jitsu da Quebrada!
Combinei primeiro de ir pela noite,
para quem sabe uma aula, alguns rolas, mas Bruno ao telefone foi categórico
“Venham no treino de competição ás 15, quero rolar contigo irmão!”, não podia
recusar um convite destes. Depois combinamos uma aula pela noite, ou seja,
passaríamos um bom tempo na Moreninhas City.
Em uma tarde quente de início de verão, eu e meu companheiro de aventura,
Luan Pimentel, vulgo Polaco e meu fiel escudeiro nas minhas andanças, Igor
“Bodão, saímos rumo ao Bairro das Moreninhas, uma região bem distante do centro
da cidade. O caminho é longo, saímos com um certo atraso, o que fez o caminho
parecer ainda mais distante, visto a vontade de chegar logo e fazer o máximo do
treino.
Ao chegar no bairro a
impressão que temos é de estar em uma cidade mesmo, com um comércio pulsante,
com um vai e vem constante de pessoas. O bairro da Moreninhas já na entrada se
mostra como realmente é, uma cidade para além da cidade.
A academia Pantanal 67 C.T Bruno Bezerra não fica longe da entrada do bairro. O sol ardia e o tempo estava muito quente, parecendo esquentar mais ainda quando eu, Polaco e Bodão adentramos o grande galpão que fica a academia, com um tatame bem grande, lotado de alunos. Para variar chegamos atrasados, uma constante em nossas visitas, e já encontramos um tatame fervilhando ao som do Funk Carioca, com toda a galera se digladiando já.
Fomos muito bem recebidos por nossos amigos, Bruno é sempre muito solicito e simpático, contando ainda com o apoio do carismático Niltinho, uma das caras mais conhecidas do Jiu-Jitsu da 67 Pantanal Association. Uma ótima recepção, seguido pelos primeiros convites a já ir rolar. Eu já sou um lutador quase veterano, às portas da Master 2, normalmente preciso de um tempo para me alongar, aquecer, etc... Mas já de cara fui convidado a rolar, o calor era tanto e o clima no tatame tão enérgico, que acho que já estava pronto.
O treino estava
composto por alunos de vários níveis diferentes, os experientes faixas pretas
Bruno e Niltinho, seguido por já respeitados competidores, como Dudu, faixa
marrom, um dos destaques das competições estaduais do ano de 2022, além de
algumas meninas também já cascudas no meio competitivo, como Maria Augusta.
Treino não se comenta! Mas em nossas aventuras vamos comentar aquilo de melhor que os treinos nos ofereceram. O Jiu-Jitsu da Quebrada para mim pareceu muito com a música que fazia trilha sonora dos rolas, um Jiu-Jitsu funkeado, muito ativo, competitivo e levando sempre o coração ao máximo em cada rola. Meus companheiros de viagem estavam em casa, fazendo um treino duro após o outro, pipocando pelo tatame conforme a “porradaria estancava”. Eu já tenho um Jiu-Jitsu mais cadenciado, necessitando controlar e travar um pouco a luta para não ser engolido pelo gás e disposição da galera do C.T Bruno Bezerra.
Todos com quem tive a oportunidade de treinar, inclusive o professor Bruno Bezerra e Niltinho, me deram um ótimo treino, criando situações difíceis de serem contornadas, levando o máximo técnico, tático e de coração nos rolas que fiz. Com uma ótima técnica, aliada á um gás excelente, Bruno e seus alunos são treino duro para qualquer um que vá fazer uma visita, valendo muito a pena os visitar.
Sobrevivemos ao treino de competição. Ao final Bruno nos apresentou, perguntando se todos haviam visto o Podcast que ele fizera comigo, somente um jovem, ingênuo, mas muito verdadeiro, levantou a mão em negativa dizendo não ter assistido, sendo prontamente zoado pelos seus companheiros de equipe. Por fim, me presenteou com uma camisa, a qual eu adorei e fiz já questão de usar. Na camisa estampada os dizeres resumem o espírito da equipe “Jiu-Jitsu de Quebrada”, termo o qual durante nossa conversa sugeri como sendo a característica do Jiu-Jitsu deles.
Após o treino de competição fomos á um famoso Açaí em uma movimentada avenida do bairro. Enquanto saboreávamos e recuperávamos nossas forças através daquele delicioso açaí, pude perceber o quão Bruno é querido no bairro, não raro passavam carros, motos, bicicletas e transeuntes, que o saudavam calorosamente, dando-me a impressão de ele ser uma das figuras públicas mais notórias do bairro.
Regressamos ao C.T pela noite, desta vez somente eu e Polaco, para Bodão seu alvará com a esposa havia expirado e ele teve de nos deixar. Nos sentamos na frente da academia para aguardar a próxima aula, a qual iria ministrar, e que seria às oito da noite. Muitos alunos, alguns que me conheciam das competições como árbitro, vinham nos cumprimentar com muito respeito, eis que chega uma das figuras já famosas do Jiu-Jitsu de Mato Grosso do Sul, Rodrigo Freitas, o famoso Gigante, ou Giga para os íntimos.
Gigante já chegou me intimando com um largo sorriso no rosto: “Vamos fazer um soltinho Mestre?!”. Claro que não podia negar um soltinho com ele, tal era a alegria com que ele propôs o “desafio”. Vários dos jovens, faixas verde e azul, permaneceram na academia, me dando a impressão de ali ser um segundo lar, ou uma extensão da escola. Por conta das férias escolares, talvez todos eles estavam aproveitando para treinar o máximo que podiam.
O tatame estava tomado pela energia de crianças, não saberia quantificar, mas eram muitas. Os jovens professores, liderados pelo famoso Giga, se esforçavam para controla-los, mas não sem incentiva-los a dar seu máximo naquele treinamento. Uma mãe ficou indignada com a escolha do adversário de seu filho, reclamando veementemente para uma das instrutoras, depois sendo acalmada por Gigante. Por fim Bruno com toda calma do mundo disse ter a solução para o imbróglio “Depois ligo e dou uma conversada com ela e tudo fica bem”.
Os adultos começaram a chegar, muitos mesmos, de diferentes níveis de graduação, tendo no meio deles muitos jovens adolescentes também. Um dos destaques positivos da academia de Bruno é o número bem elevado de mulheres no tatame, vindo de jovens garotas até mulheres adultas. Para mim já haviam muitos alunos para a aula que ministraria, mesmo assim meus anfitriões me disseram que não estava um treino lotado.
Neste treino da noite
vários adultos, já mais velhos, aparentando uma vida dividida entre o trabalho,
família, e o amor por treinar a arte suave. Os adultos se misturavam com jovens
ávidos pela adrenalina da luta, compartilhando com eles a mesma empolgação com
a aula que iria dar. Apesar do corpo cansado do treino da tarde, a empolgação e
total atenção de todos os alunos, me deram um animo a mais para dar a
melhor aula que poderia dar a eles.
Saiu o Funk e entrou
o Reggae, música temática das minhas aulas de defesa das costas. Bruno me disse
que pela primeira vez iriam tocar este ritmo de música lá, não sei se foi do
gosto dos alunos, mas pela aula me pareceram compreender a escolha da playlist.
Os alunos a cada demonstração praticavam com empenho as técnicas e mini
específicos que lhes propus, me bombardeando em seguida com bons
questionamentos.
Ao fim da aula, o professor liberou os alunos para o “Soltinho”. Já não tinha muita energia, toda ela ficara no treino da tarde e na aula ministrada, mas tinha uma última promessa a cumprir naquela visita, o “soltinho” com o Gigante. Sempre tive curiosidade ao vê-lo nos campeonatos, tão pequeno e mesmo assim enfrentando os lutadores muito maiores nos absolutos, e tal como seu lema “Sem histórias tristes”.
Gigante partiu para cima de mim com toda sua energia. Um aspecto muito interessante é a alegria e energia com que Giga me atacou, não parecendo temer por nenhum momento o fato de eu ser quase o dobro do tamanho e peso dele. Posso resumir como um treino muito divertido e proveitoso com ele, me dando a noção do quão grande é o espírito guerreiro daquele pequeno rapaz.
Se para mim um rola
bastou, já para meu companheiro, Polaco, que era seguidamente convidado a
treinar, foi mais um treino intenso. Polaco ia atendendo prontamente cada
pedido para treinar, transformando aquele final de noite em mais uma maratona
de Jiu-Jitsu. Por fim estávamos exaustos, mas com sentimento de dever cumprido
em aproveitar cada segundo naquele C.T.
No fim de noite,
Bruno e Niltinho, junto com suas famílias e alunos, nos convidaram para comer o
melhor espetinho do bairro. Terminamos nossa noite com um alegre jantar com a
galera da academia, sendo brindado com as divertidas histórias de Bruno e
Niltinho, duas figuras icônicas e de coração gigante. Deixamos a Moreninha City
depois de um dia cheio de Jiu-Jitsu, nos dando uma experiência sensacional de
viver o Jiu-Jitsu da Quebrada.
Cheguei em casa por
volta das onze da noite, já sentindo os efeitos do treino daquele dia,
imaginando uma manhã de descanso e recuperação. Mas o dia seguinte não seria de
recuperação, pois uma mensagem de voz, pela manhã, destacando o forte sotaque
carioca de quem a mandou. A mensagem acabava com meu planejamento de me
recuperar, pois já intimava para a próxima aventura:
“Não inventa nada pra fazer, você vai no treino das onze e meia, estou informando, não convidando, estou informando que você vai hoje no treino das onze e meia”.
Com um chamado destes, não havia como recusar mais uma aventura. Não percam o próximo capítulo do Jiu-Jitsu Adventure, e descubra aonde o Jiu-Jitsu nos levou a aventurarmos!





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